dermatite atópica

Dermatite atópica, como reconhecer, controlar a coceira e tratar

A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele, bastante frequente na infância, mas que também pode persistir ou surgir na vida adulta. Ela integra a chamada marcha atópica, estando associada a outras manifestações alérgicas, como alergia alimentar, asma e rinite alérgica.

Nessa condição, a barreira cutânea é mais frágil, o que leva à maior perda de água e facilita a entrada de irritantes e alérgenos. Essa combinação favorece a ativação do sistema imunológico da pele, resultando em inflamação persistente, ressecamento intenso e prurido, que muitas vezes impacta de forma significativa a qualidade de vida.

Mais do que “uma alergia de pele”, a dermatite atópica é uma condição complexa, que envolve fatores genéticos, imunológicos e ambientais. Não é falta de cuidado, não é culpa dos pais, e definitivamente não é contagiosa.

dermatite atópica

A dermatite atópica é uma causa frequente de coceira, ressecamento e vermelhidão na pele, e muitas pessoas convivem com esses sintomas sem entender a origem.

Com diagnóstico adequado e orientação correta, é possível controlar a doença, reduzir as crises e melhorar significativamente a qualidade de vida. Saiba mais a seguir.

Quem é o médico da dermatite atópica?

O alergista ou dermatologista é o médico que avalia e acompanha a dermatite atópica.

A Dra Laura Brentini é médica das alergias em Franca-SP. Atualmente atende no consultório em Franca-SP e por teleconsultas. Também atua como preceptora do curso de medicina do Centro Universitário Municipal de Franca.

Quando se procura um médico alergista olhe a formação do profissional e opiniões de quem já consultou.

A Dra Laura Brentini fez residência médica na USP e tem título de especialista pela ASBAI, o que confirma sua formação em alergia.

O Google e o Doctorália são excelentes para você ver avaliações dos médicos alergistas.

alergista em Franca

O que é dermatite atópica?

A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele. Isso significa que a pele dessas pessoas é naturalmente mais sensível e tende a inflamar com mais facilidade.

Gosto de explicar de uma forma simples: a nossa pele funciona como uma barreira de proteção, como se fosse a parede que separa o nosso corpo do mundo externo. Quando essa barreira está íntegra, ela mantém a hidratação e impede a entrada de substâncias que podem irritar.

Na dermatite atópica, essa barreira é mais frágil. É como se existissem pequenas falhas invisíveis nessa proteção. Por causa disso, a pele perde água com mais facilidade e fica ressecada, e ao mesmo tempo se torna mais vulnerável à poeira, ao suor, aos produtos de higiene, à poluição e a tantos outros estímulos do dia a dia.

Por isso, a pele muito seca não é apenas um detalhe estético. Ela já é parte do próprio mecanismo da doença. Quanto mais ressecada, mais sensível ela fica, e mais fácil é surgir vermelhidão, ardor e coceira.

Além disso, o sistema de defesa da pessoa com dermatite atópica costuma reagir de forma mais intensa. Pequenos estímulos que não causariam problema em outras pessoas podem desencadear inflamação. O resultado é uma pele que reage com facilidade e precisa de cuidado constante para se manter equilibrada.

Por que a pele fica tão sensível?

Uma forma didática de entender isso é usar a analogia dos tijolos e do cimento.

A camada mais superficial da pele pode ser comparada a uma parede. As células são os tijolos. Entre elas existem substâncias chamadas lipídeos, que funcionam como o cimento que mantém tudo bem vedado e organizado.

Quando esse cimento está em boa quantidade e bem estruturado, a parede fica firme. A pele consegue manter a hidratação e bloquear a entrada de agentes irritantes.

Na dermatite atópica, esse “cimento” é insuficiente ou funciona de maneira inadequada. É como se a vedação estivesse comprometida. A água evapora com mais facilidade, e substâncias externas penetram com maior facilidade também.

Essa combinação explica por que a pele fica tão seca e por que a coceira é tão frequente. A inflamação surge como resposta a essa fragilidade da barreira.

dermatite atopica tijolos

Entender esse processo muda a forma como enxergamos o tratamento. Hidratar não é apenas “passar um creme”. É ajudar a reconstruir essa vedação, fortalecer a barreira e reduzir a inflamação. O cuidado diário deixa de ser um detalhe e passa a ser parte essencial do controle da dermatite atópica.

Principais sintomas da dermatite atópica

Os sinais variam conforme a idade, mas alguns pontos são muito característicos:

  • Coceira intensa, que pode atrapalhar o sono
  • Pele seca, áspera, às vezes com descamação
  • Placas avermelhadas ou escurecidas
  • Pequenas bolinhas ou áreas que podem formar crostas
  • Espessamento da pele em casos mais antigos

Em bebês, é comum acometer bochechas, tronco e superfícies extensoras. Em crianças maiores e adultos, predominam dobras como atrás dos joelhos, cotovelos, pescoço e punhos.

A coceira é o grande vilão. Ela leva ao ato de coçar, que piora a inflamação, que aumenta ainda mais a coceira. Romper esse ciclo é um dos pilares do tratamento.

dermatite

Dermatite atópica tem relação com alergia alimentar?

Essa é uma dúvida muito frequente. Em alguns casos, especialmente em bebês com dermatite moderada a grave e início precoce, pode haver associação com alergia alimentar. Porém, a maioria das crianças com dermatite atópica não precisa de restrições alimentares.

Dietas sem orientação podem trazer mais prejuízos do que benefícios. A investigação deve ser individualizada, baseada na história clínica e, quando necessário, em testes complementares.

O tratamento vai muito além de pomadas

O cuidado com a dermatite atópica é contínuo e envolve diferentes estratégias:

Hidratação diária

É a base do tratamento. Hidratantes devem ser aplicados todos os dias, mesmo quando a pele parece boa. Eles ajudam a restaurar a barreira cutânea e diminuem crises.

hidratantesdermatite atópica

Controle da inflamação

Durante as crises, utilizamos medicamentos tópicos anti-inflamatórios, como corticoides ou imunomoduladores, de forma orientada e segura.

Identificação de gatilhos

Cada paciente tem seus próprios fatores de piora. Pode ser suor excessivo, poeira, lã, clima frio ou infecções virais. Observar padrões ajuda muito no controle.

Tratamentos sistêmicos

Nos casos mais graves, quando a dermatite atópica não melhora de forma satisfatória apenas com hidratação adequada e tratamento tópico bem conduzido, nós temos outras possibilidades terapêuticas. Existem caminhos além das pomadas!

Hoje contamos com medicações sistêmicas e terapias biológicas modernas que atuam de forma mais direcionada na inflamação da doença, permitindo uma abordagem mais personalizada e eficaz.

Terapias biológicas

O dupilumabe é um exemplo importante. Ele é um anticorpo monoclonal que bloqueia duas proteínas chamadas interleucina 4 e interleucina 13, que são centrais no processo inflamatório da dermatite atópica. Ao inibir essas vias específicas, conseguimos reduzir a inflamação de forma mais precisa, diminuir a coceira e melhorar significativamente as lesões de pele. É uma medicação aplicada por injeção subcutânea, com perfil de segurança bem estabelecido, e que pode trazer uma mudança muito expressiva na qualidade de vida de quem sofria com crises frequentes e intensas.

dupilumabe

Inibidores de JAK

Outra classe de medicações são os inibidores de JAK, como o upadacitinibe, que atua principalmente sobre a via JAK1. Essas medicações funcionam bloqueando sinais internos das células inflamatórias, interrompendo a comunicação que mantém a inflamação ativa.

São medicamentos orais, com início de ação geralmente rápido, e podem ser uma opção especialmente interessante para pacientes com coceira muito intensa e doença extensa. Como atuam em vias do sistema imunológico, exigem avaliação criteriosa, exames laboratoriais e acompanhamento regular.

rinvoq

Imunossupressores clássicos

Existem também opções sistêmicas mais tradicionais, como a ciclosporina e o metotrexato. Apesar de não serem medicações novas, continuam tendo papel importante em determinadas situações clínicas.

Podem ser indicados em fases específicas da doença, como ponte terapêutica ou quando outras opções não estão disponíveis ou não são adequadas para aquele paciente. Assim como as demais terapias sistêmicas, exigem acompanhamento cuidadoso.

Imunoterapia alérgeno específica

Em alguns pacientes, especialmente aqueles com dermatite atópica associada a sensibilização comprovada a aeroalérgenos, como ácaros da poeira, a imunoterapia alérgeno específica conhecida como “vacina da alergia” pode ser considerada como parte da estratégia terapêutica.

A imunoterapia atua modulando o sistema imunológico ao longo do tempo, reduzindo a resposta exagerada a determinados alérgenos. Não é indicada para todos os casos de dermatite atópica, mas pode ser uma abordagem complementar importante quando há correlação clínica entre exposição e piora dos sintomas.

A indicação deve ser individualizada, baseada na história clínica e em investigação adequada.

vacina da alergia

Tratamento personalizado

A escolha do tratamento depende da idade, da gravidade da doença, das condições associadas, do estilo de vida e das expectativas de cada pessoa. Não existe uma única resposta para todos.

O mais importante é entender que, quando a dermatite atópica não está controlada, isso não significa fracasso. Significa que talvez seja o momento de avançar para uma abordagem mais direcionada.

Hoje conseguimos personalizar muito mais o tratamento, buscando não apenas melhorar a pele, mas devolver sono tranquilo, autoestima e qualidade de vida.

Impacto emocional e qualidade de vida

A dermatite atópica não afeta apenas a pele. Ela interfere no sono, no rendimento escolar, na autoestima e na dinâmica familiar. Pais exaustos por noites mal dormidas, crianças irritadas pela coceira constante, adolescentes e adultos constrangidos pelas lesões visíveis.

Cuidar da dermatite é também acolher essas emoções, explicar o que está acontecendo e mostrar que existe controle possível.

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É possível ter uma vida normal?

Sim. Com acompanhamento adequado, rotina de cuidados e tratamento individualizado, a grande maioria dos pacientes consegue excelente controle dos sintomas. A dermatite pode ter fases de melhora e piora, mas não precisa definir a vida de ninguém.

O mais importante é entender que cada pele é única. O plano de cuidado precisa ser personalizado, respeitando idade, gravidade, rotina e expectativas.

Dicas práticas para o dia a dia com dermatite atópica

1) Como deve ser o banho

  • Prefira banhos rápidos, use água morna, evite água quente
  • Utilize sabonetes suaves, específicos para pele sensível, apenas nas áreas necessárias
  • Não use esponjas ou buchas
  • Seque com toalha macia, sem esfregar, apenas pressionando suavemente
  • Logo após o banho, com a pele ainda levemente úmida, aplique o hidratante. Esse momento é precioso para “selar” a hidratação.

2) Como escolher o hidratante

Nem todo hidratante é igual. Para dermatite atópica, prefira:

  • Produtos sem fragrância
  • Texturas mais espessas, como cremes ou bálsamos (baume)
  • Fórmulas específicas para pele atópica ou muito seca

A quantidade também importa. Muitas vezes o paciente usa pouco produto e acha que não está funcionando. O ideal é aplicar uma camada generosa.

3) Roupas e tecidos

  • Dê preferência a roupas de algodão
  • Evite lã e tecidos sintéticos diretamente em contato com a pele
  • Retire etiquetas internas que possam irritar
  • Lave roupas com sabão neutro e evite amaciantes perfumados

4) Ambiente e clima

  • Em dias muito secos, o uso de umidificador pode ajudar
  • Evite exposição prolongada ao calor e ao suor excessivo
  • Após atividades físicas, troque a roupa suada e hidrate a pele

5) Como lidar com a coceira

A coceira é um impulso difícil de controlar, especialmente em crianças pequenas.

  • Mantenha as unhas curtas
  • Use pijamas de algodão à noite
  • Em momentos de crise, técnicas como bandagem úmida e pijama úmido, também conhecida como wet wrap, podem ajudar
  • Reforce a hidratação nas áreas mais afetadas – manter a pele hidratada é uma das formas mais eficazes no controle da coceira
  • O papel do antialérgico no controle da coceira da dermatite atópica é limitado, pois não atuam na causa principal da inflamação

6) Durante as crises

Quando surgem placas mais vermelhas, espessas ou muito pruriginosas, não espere “ver se melhora sozinho”. Iniciar o tratamento orientado pelo médico logo no começo da crise costuma reduzir sua duração e intensidade.

Seguir corretamente o tempo e a forma de uso das medicações é fundamental. Interromper antes do tempo pode levar à piora rápida do quadro.

Dermatite atópica tem cura?

A dermatite atópica é uma condição crônica, mas tem controle. Muitas pessoas conseguem passar longos períodos sem crises quando seguem um plano de cuidado adequado.

O mais importante é entender que cada pele é única. O tratamento deve ser individualizado, considerando intensidade da coceira na pele, extensão das lesões e impacto na qualidade de vida.

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Um lembrete importante:

A dermatite atópica é uma condição crônica, mas isso não significa que você precise viver em crise. Com rotina, constância e acompanhamento médico, é possível manter a doença bem controlada.

Cada pele responde de um jeito, por isso o tratamento precisa ser individualizado e ajustado ao longo do tempo.

Se você ou seu filho convivem com dermatite atópica, saiba que existe caminho, existe tratamento, e existe alívio. Informação correta, acompanhamento médico e constância nos cuidados fazem toda a diferença!

Leia também:

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Alergia alimentar x intolerância, qual a diferença?

Fonte:

Antunes AA, Solé D, Carvalho VO, Kiszewski Bau AE, Kuschnir FC, Mallozi MC, et al. Guia prático de atualização em dermatite atópica. Parte I, etiopatogenia, clínica e diagnóstico. Posicionamento conjunto da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia e da Sociedade Brasileira de Pediatria. Arq Asma Alerg Imunol. 2021;5(3):293-313. doi:10.5935/2526-5393.20210044.

Antunes AA, Solé D, Carvalho VO, Kiszewski Bau AE, Kuschnir FC, Mallozi MC, et al. Guia prático de atualização em dermatite atópica. Parte II, abordagem terapêutica e prevenção. Posicionamento conjunto da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia e da Sociedade Brasileira de Pediatria. Arq Asma Alerg Imunol. 2021;5(4):401-419. doi:10.5935/2526-5393.20210055.


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