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Urticária crônica, o que você precisa saber

A urticária crônica é uma condição de pele que provoca placas avermelhadas, elevadas e muito pruriginosas, conhecidas como vergões, comichão ou empolação, que aparecem e desaparecem ao longo do corpo por mais de 6 semanas. As lesões podem surgir em qualquer região, mudam de lugar rapidamente e, na maioria das vezes, somem em até 24 horas, mas voltam em outro ponto da pele.

Ela pode ser classificada em dois grandes grupos, urticária crônica espontânea, quando as lesões surgem sem um gatilho externo claramente identificável, e urticária crônica induzida, quando há um fator desencadeante específico, como frio, calor, pressão, exercício ou contato com determinados estímulos.

Muitas pessoas acreditam que se trata de alergia alimentar, mas na maior parte dos casos isso não é verdade. Entender isso é o primeiro passo para evitar frustrações e restrições desnecessárias.

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Compreender qual tipo de urticária está presente é essencial para avaliar o risco envolvido, evitar condutas inadequadas e procurar o especialista no momento apropriado.

Se você quer entender melhor as diferenças entre os tipos de urticária e suas classificações, clique aqui e leia o artigo completo sobre o tema.

Quem é o médico da urticária?

O alergista é o médico que avalia e acompanha as urticárias.

A Dra Laura Brentini é médica das alergias em Franca-SP. Atualmente atende no consultório em Franca-SP e por teleconsultas. Também atua como preceptora do curso de medicina do Centro Universitário Municipal de Franca.

Quando se procura um médico alergista olhe a formação do profissional e opiniões de quem já consultou.

A Dra Laura Brentini fez residência médica na USP e tem título de especialista pela ASBAI, o que confirma sua formação em alergia.

O Google e o Doctorália são excelentes para você ver avaliações dos médicos alergistas.

alergista em Franca

Como são as lesões?

As placas ou vergões podem variar bastante de tamanho, desde pequenas manchas (como bolinhas elevadas parecidas com picadas de insetos) até áreas maiores que se unem formando desenhos irregulares na pele. A coceira costuma ser intensa e pode comprometer o sono, o trabalho e a concentração.

Alguns pacientes também apresentam angioedema, que é um inchaço mais profundo, principalmente em lábios, pálpebras, mãos, pés e, em alguns casos, região genital. Esse inchaço pode causar dor, sensação de pressão e desconforto estético importante.

Urticária crônica espontânea (UCE)

Na forma espontânea, as lesões surgem sem um fator externo claramente identificado. O que acontece é uma ativação inadequada de células da pele chamadas mastócitos, que liberam substâncias inflamatórias, especialmente histamina.

Em parte dos pacientes, existe um mecanismo autoimune envolvido, ou seja, o próprio sistema imunológico estimula essas células de maneira persistente.

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Urticária crônica induzida

Na urticária crônica induzida, as lesões aparecem após um estímulo específico. Entre os tipos mais comuns estão:

  • Urticária ao frio, desencadeada por contato com água fria, vento ou objetos gelados.
  • Urticária ao calor.
  • Urticária por pressão, que pode surgir horas após o uso de roupas apertadas ou após permanecer sentado por muito tempo.
  • Dermografismo, quando a pele forma vergões após leve fricção, que pode ser pelo próprio ato de coçar.
  • Urticária colinérgica, associada a aumento da temperatura corporal, exercício ou estresse.
  • Urticária solar.

Identificar o padrão ajuda muito no controle dos sintomas.

Compreender qual tipo de urticária está presente é essencial para avaliar o risco envolvido, evitar condutas inadequadas e procurar o especialista no momento apropriado.

Não é uma alergia alimentar

Uma das maiores angústias de quem convive com urticária crônica é acreditar que o problema está sempre relacionado à alimentação. Diferente das alergias alimentares clássicas, nas quais os sintomas aparecem logo após a ingestão de um alimento específico, na maioria dos casos de urticária crônica não existe essa relação direta.

Dietas restritivas feitas sem orientação médica não resolvem o problema e podem causar prejuízos nutricionais e emocionais.

urticaria crônica
Na urticária crônica, o mastócito pode ser ativado por estímulos não alérgicos, como estresse, variações de temperatura, infecções e medicamentos, levando à liberação de histamina e ao surgimento de coceira e lesões na pele.

O impacto na qualidade de vida

A urticária crônica vai muito além da pele. A coceira constante, o medo de novas crises, a insegurança em ambientes sociais e a imprevisibilidade dos sintomas podem gerar ansiedade, irritabilidade e cansaço.

Por isso, o tratamento adequado tem como objetivo não apenas reduzir as lesões, mas devolver qualidade de vida e segurança ao paciente.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é clínico, baseado na história detalhada e no exame físico.

Em casos de urticária induzida, testes simples de provocação podem ser realizados pelo especialista para confirmar o gatilho.

Nem todos os pacientes precisam de exames laboratoriais extensos. A investigação deve ser individualizada para evitar excessos e ansiedade desnecessária.

Alguns exames que podem ser solicitados incluem:

  • Hemograma completo
  • IgE total
  • Proteína C Reativa e VHS
  • Anti-TPO

Outros exames podem ser necessários se houver dúvida do diagnóstico, como a biópsia de pele.

Não existe um exame único capaz de identificar a causa da urticária em todos os pacientes, sempre é necessário avaliar cada caso.

Quais exames não são recomendados?

Um ponto importante no manejo da urticária crônica é entender que nem todo exame ajuda no diagnóstico ou no tratamento. Pelo contrário, a solicitação excessiva de exames pode gerar ansiedade, custos desnecessários e interpretações equivocadas.

Na maioria dos pacientes com urticária crônica, os seguintes exames não devem ser solicitados de rotina:

  • Testes alérgicos alimentares, como testes cutâneos ou dosagem de IgE específica para alimentos, na ausência de história compatível.
  • Painéis extensos de alergia sem direcionamento clínico.
  • Testes de IgG para alimentos (como A200 ou similares).

Esses exames não modificam a conduta e frequentemente levam a dietas restritivas, preocupações excessivas e tratamentos inadequados.

A investigação deve ser sempre individualizada e guiada pela história clínica, com foco em identificar diagnósticos diferenciais ou condições associadas apenas quando houver indicação.

Tratamento, existe controle!

A boa notícia é que a urticária crônica, tanto espontânea quanto induzida, tem tratamento eficaz.

O tratamento da urticária crônica é feito de forma escalonada, seguindo uma sequência de passos bem definida. Isso significa que existem opções progressivas, indicadas quando o controle adequado dos sintomas não é alcançado na etapa anterior.

Esse modelo permite tratar de forma segura, eficaz e individualizada, evitando tanto o subtratamento quanto o uso precoce de terapias mais complexas.

Primeiro passo, anti-histamínicos de segunda geração

Os anti-histamínicos de segunda geração, antialérgicos que habitualmente não causam sonolência, são a base do tratamento da urticária crônica. Eles atuam bloqueando a ação da histamina, principal substância envolvida nos sintomas.

Esses medicamentos podem ter a dose ajustada conforme a necessidade e sempre sob orientação médica.

Segundo passo, aumento da dose do anti-histamínico

Quando não há controle adequado com a dose inicial, é possível aumentar a dose do anti-histamínico até um limite considerado seguro. Apenas alguns medicamentos dessa classe foram estudados e validados para uso em doses mais altas.

Esse ajuste deve ser feito exclusivamente com acompanhamento médico.

Terceiro passo, terapias imunobiológicas

Em pacientes que não respondem adequadamente aos anti-histamínicos, mesmo em doses otimizadas, existem terapias modernas e altamente eficazes.

O omalizumabe (Xolair®) é atualmente a opção preferencial nessa etapa do tratamento, com excelente perfil de eficácia e segurança.

Diretrizes mais recentes também incluem novas possibilidades terapêuticas, como o dupilumabe e o remibrutinibe, embora o acesso a essas medicações ainda seja mais limitado.

Quarto passo, outras terapias imunomoduladoras

Nos casos mais resistentes, podem ser consideradas outras opções terapêuticas, como a ciclosporina e outras terapias específicas, sempre com avaliação cuidadosa de riscos e benefícios.

O uso frequente de corticoides sistêmicos não é recomendado no manejo da urticária crônica, pois pode causar efeitos colaterais importantes e não promove controle sustentado da doença.

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Dicas práticas para quem tem urticária crônica

  • Evite coçar as lesões, pois a fricção pode piorar o quadro.
  • Observe se existe algum padrão de desencadeamento, como frio, calor, pressão ou exercício.
  • Prefira roupas leves e confortáveis.
  • Controle o estresse, que pode intensificar os sintomas.
  • Não altere medicações sem orientação médica.

A urticária crônica tem controle

Em muitos pacientes, a doença entra em remissão ao longo do tempo. A duração é variável, podendo persistir por meses ou anos, mas é possível manter os sintomas controlados durante esse período.

Com acompanhamento adequado, a maioria das pessoas consegue levar uma vida normal.

Quando procurar um especialista

Se as lesões persistem por mais de 6 semanas, se há inchaços frequentes ou se os sintomas estão prejudicando sua qualidade de vida, é fundamental procurar um alergista ou imunologista.

O acompanhamento especializado permite identificar o tipo de urticária, ajustar o tratamento e reduzir o impacto da doença no dia a dia.

A urticária crônica tem controle, e você não precisa conviver com coceira, insegurança e limitações constantes. Informação correta e tratamento adequado transformam a experiência com a doença.

Perguntas frequentes sobre urticária crônica:

1) A urticária é contagiosa?

Não. A urticária não é contagiosa e não pode ser transmitida por contato físico.

2) Pode ser perigosa?

Na maioria dos casos, não é uma doença grave, mas pode causar grande impacto na qualidade de vida. Alguns tipos de urticária induzida, como a urticária ao frio intensa, exigem avaliação por risco específico em determinadas situações.

3) Preciso fazer muitos exames?

Na maior parte dos casos, não. O diagnóstico é clínico e a investigação é direcionada conforme cada situação.

4) Antialérgico faz mal se usado por muito tempo?

Os anti-histamínicos de segunda geração, quando prescritos corretamente, são seguros para uso prolongado. Diferente do que muitos pensam, eles não causam dependência.

5) Corticoide resolve a urticária?

O corticoide (como por exemplo prednisona, prednisolona e dexametasona) pode melhorar os sintomas temporariamente, mas não deve ser usado de forma repetida ou contínua. Eles não são antialérgicos. O uso frequente pode trazer efeitos colaterais importantes e não trata a causa do problema.

6) Existe tratamento quando o antialérgico não funciona?

Sim. Hoje existem tratamentos eficazes e seguros para pacientes que não respondem adequadamente aos anti-histamínicos. Entre eles encontra-se o omalizumabe (Xolair®). Esses tratamentos permitem controle completo ou quase completo dos sintomas na maioria dos casos.

7) Crianças podem ter urticária crônica?

Sim. Embora seja mais comum em adultos, a urticária crônica também pode ocorrer em crianças. O acompanhamento especializado é fundamental para evitar medicações inadequadas e restrições desnecessárias.

8) Posso continuar minha rotina normal?

Com tratamento adequado e orientação individualizada, a maioria dos pacientes consegue manter suas atividades diárias com segurança.

Dicas finais para conviver melhor com a urticária crônica

  • Mantenha acompanhamento regular com seu alergista.
  • Evite automedicação, principalmente com corticoides.
  • Não se culpe pela doença, ela não é causada por erro alimentar ou descuido pessoal.
  • Valorize sua qualidade de vida e procure ajuda quando os sintomas estiverem interferindo no seu bem-estar.

A informação correta é o primeiro passo para o controle da urticária crônica e para recuperar tranquilidade no dia a dia!

Leia também:

Urticária: sintomas, causas e quando procurar um médico

Alergia alimentar x intolerância, qual a diferença?

Fonte:

Zuberbier T, Abdul Hameed Ansari Z, Abdul Latiff AH, et al. The International Guideline for the Definition, Classification, Diagnosis and Management of Urticaria. Allergy. Published online February 6, 2026. doi:10.1111/all.70210


Comentários

Uma resposta para “Urticária crônica, o que você precisa saber”

  1. […] Leia mais sobre a urticária crônica: Urticária crônica, o que você precisa saber […]

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