A confusão entre alergia e intolerância é comum, mas são problemas totalmente diferentes.
A alergia envolve o sistema imunológico, ou seja, os componentes da nossa imunidade reconhecem uma proteína alimentar como ameaça e reage contra ela. Essa reação pode atingir a pele, o intestino, as vias respiratórias e o sistema cardiovascular, podendo causar sintomas graves.
Já a intolerância alimentar acontece devido uma dificuldade de digestão e acomete exclusivamente o sistema gastrointestinal. Não oferece risco de vida, mas pode ser bastante desconfortável.
Quem é o médico da alergia alimentar?
O alergista é o médico que avalia e acompanha a alergia alimentar.
A Dra Laura Brentini é médica das alergias em Franca-SP. Atualmente atende no consultório em Franca-SP e por teleconsultas. Também atua como preceptora do curso de medicina do Centro Universitário Municipal de Franca.
Quando se procura um médico alergista olhe a formação do profissional e opiniões de quem já consultou.
A Dra Laura Brentini fez duas residências médicas na USP e tem título de especialista pela ASBAI, o que confirma sua formação em alergia.
O Google e o Doctorália são excelentes para você ver avaliações dos médicos alergistas.

Muitas vezes só lembramos da alergia alimentar quando uma reação aparece, mas entender o problema ajuda a prevenir crises.
Saber qual alimento realmente causa reação, ter um plano de ação e aprender como agir em emergências faz diferença no dia a dia. Confirmar com segurança quando um alimento não causa sintomas também é importante, porque cortar algo sem necessidade pode limitar a alimentação.
Com orientação especializada é possível evitar o que faz mal, manter o que é seguro e viver com mais tranquilidade mesmo com alergia alimentar.
Como acontece a alergia alimentar?
A alergia alimentar acontece quando o sistema imunológico identifica proteínas de certos alimentos como uma ameaça e reage de forma exagerada, liberando substâncias que provocam sintomas imediatos ou tardios.
Na alergia, mesmo pequenas quantidades podem desencadear sintomas e, em alguns casos, reações graves.
O que acontece no corpo quando tenho alergia alimentar?
A alergia alimentar imediata começa quando o sistema imunológico identifica uma proteína como perigosa e cria anticorpos contra ela.
Esses anticorpos, chamados IgE, se ligam a células como mastócitos, que ficam espalhadas na pele, no intestino e nas vias respiratórias. Quando o alimento entra em contato novamente com essas células, ocorre liberação de histamina e outras substâncias que causam coceira, vermelhidão, inchaço, chiado, dor abdominal ou vômitos.
A reação pode começar em minutos ou até duas horas depois da exposição.
O que sente uma pessoa com alergia alimentar?
Os sintomas podem variar conforme a quantidade ingerida, a sensibilidade de cada pessoa e o alimento envolvido. Eles podem ser leves, moderados ou graves. Entre os mais comuns estão:
• coceira na boca, língua e lábios
• vermelhidão ou placas na pele (urticárias)
• inchaço de lábios, olhos ou face (angioedema)
• dor na barriga, náuseas, vômitos ou diarreia
• tosse, chiado no peito ou dificuldade de respirar
• sensação de aperto na garganta
• queda de pressão, tontura e desmaio, quadro que pode fazer parte de uma reação grave chamada anafilaxia
Se notar sinais de dificuldade para respirar ou queda da pressão, ou ainda se apresentar dois ou mais desses sintomas, é necessário atendimento de emergência imediatamente.

Quais alimentos podem causar alergia?
Qualquer alimento pode provocar alergia, mas alguns são responsáveis pela maior parte dos casos. Os mais frequentes incluem:
- Leite de vaca
- Ovo
- Amendoim
- Castanhas
- Trigo
- Soja
- Peixe e frutos do mar
- Gergelim

Muitos bebês apresentam alergia ao leite e ao ovo, mas parte deles melhora com o passar dos anos. Já alergias como amendoim, castanhas e frutos do mar tendem a persistir.
Como descobrir se tenho alergia alimentar
O diagnóstico começa com uma conversa detalhada sobre os sintomas e os alimentos suspeitos.
Exames podem ser solicitados quando necessário, como testes cutâneos e dosagem de IgE específica no sangue.
Em alguns casos o médico pode recomendar um teste de provocação oral feito em um ambiente controlado para confirmar o diagnóstico com segurança.
A interpretação dos exames precisa sempre ser associada à história clínica, já que resultados isolados podem confundir.
Alergia alimentar tem tratamento?
Sim, e com o acompanhamento certo você pode viver com mais tranquilidade.
Depois de identificar o alimento causador, é possível montar um plano personalizado que reduz o risco de reações e mantém uma alimentação completa. O alérgico pode voltar a ter confiança para comer fora, viajar e participar de eventos familiares sem medo constante, porque aprende exatamente o que evitar, como se preparar e o que fazer caso algum imprevisto aconteça.
A base do tratamento envolve educação alimentar e um plano de emergência para deixar tudo sob controle caso algum escape ocorra. Em alguns casos, existe ainda a possibilidade de terapias como a imunoterapia oral e os imunobiológicos, uma abordagem que está avançando e que pode ampliar ainda mais as alternativas do paciente.
Com orientação especializada, você não precisa enfrentar isso sozinho, o alergista pode ajudar a tornar seu dia a dia mais leve e seguro.
Se você suspeita de alergia alimentar ou quer entender melhor suas opções, agendar uma avaliação pode ser o primeiro passo para ganhar confiança e qualidade de vida.
Mas nem sempre o que você sente depois de comer algo significam alergia. Em muitos casos, o problema é a intolerância alimentar, que tem causas e cuidados bem diferentes.
E a intolerância alimentar, como é causada?
A intolerância alimentar acontece quando apresentamos uma dificuldade na digestão de certo componente alimentar, ou seja, quando há uma má absorção desse componente. É importante lembrar que não há envolvimento do sistema imunológico.
Uma das principais intolerâncias alimentares é a intolerância à lactose.
Por que a intolerância à lactose acontece?
O leite é composto pela lactose, que é o açúcar natural do leite. Para digerir a lactose, precisamos de uma enzima chamada lactase, produzida em uma parte do nosso intestino chamada intestino delgado.
Quando bebemos leite ou consumimos um produto à base de leite, a lactase presente no intestino decompõe o açúcar do leite em moléculas menores, permitindo que ele seja absorvido pelo corpo através da parede intestinal, já que a lactose não pode ser absorvida diretamente.
Quando há deficiência da lactase, a lactose não é quebrada e essa lactose “inteira” chega ao intestino grosso, onde é fermentada pelas bactérias intestinais. Essa má absorção da lactose vai gerar os sintomas e desconforto abdominal típicos dessa condição.
O que a intolerância à lactose pode causar?
Quando temos a deficiência da lactase e a lactose não é digerida corretamente, ela se acumula no intestino e pode ser fermentada pelas bactérias intestinais. Isso vai gerar a formação de gases (como H₂, CO₂ e metano) e o acúmulo de água atraída por osmose pela lactose que se acumulou no intestino.
Se você tem intolerância à lactose, seus sintomas podem incluir:
- Distensão ou inchaço abdominal
- Gases ou flatulência
- Dor ou cólicas
- Fezes soltas ou diarreia
- Borborismos ou barulhos na barriga

Algumas pessoas começam a ter desconforto com leite só mais tarde, porque a produção da enzima lactase pode diminuir com a idade. Por isso, é possível desenvolver intolerância mesmo depois de anos consumindo leite sem problemas.
Se você tem sintomas após consumir leite ou derivados, vale conversar com um médico para confirmar a causa e receber orientação sobre como ajustar a alimentação de forma segura.
Tenho intolerância à lactose, posso comer quantidades pequenas?
Muitas pessoas com intolerância à lactose conseguem sim consumir pequenas quantidades de leite e derivados sem apresentar sintomas.
Isso acontece pois os níveis de deficiência da enzima lactase variam entre os indivíduos, e algumas delas ainda mantêm uma produção parcial da enzima.
A intolerância ocorre por uma deficiência enzimática e não por um mecanismo alérgico, portanto os sintomas ficam restritos ao trato gastrointestinal, não oferecem risco à vida e aparecem conforme a quantidade ingerida supera o que o organismo consegue digerir.
Conclusão
Entender a diferença entre alergia e intolerância alimentar ajuda a evitar confusão e a tomar decisões mais seguras sobre a alimentação.
A alergia envolve o sistema imunológico e pode causar reações graves mesmo em pequenas quantidades, enquanto a intolerância acontece por dificuldade de digestão e costuma gerar apenas sintomas gastrointestinais. Apesar de diferentes, as duas podem afetar bastante o dia a dia.
Tanto na alergia quanto na intolerância, a avaliação com especialista ajuda a identificar o que realmente faz mal, orientar o que pode ser mantido na dieta e evitar diagnósticos equivocados.
Com acompanhamento adequado, é possível viver com mais conforto, aproveitar as refeições e ter um plano claro para o seu dia a dia.
Fonte:
Alergia alimentar. 1ª ed. São Paulo, Editora Atheneu, 2023.
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